Primeira folha, inspiração

A nossa família tem tido o privilégio de, por várias razões, estarmos muito tempo em casa e eu estar dedicada a tempo inteiro à minha filha. Ela tem agora 2 anos, mas quando ela era mais pequenina eu sentia uma grande necessidade de voltar a trabalhar de respirar um pouco sem ela por perto. Eram 24 horas por dia, 7 dias por semana… sem folga, dia, noite… de grande dependência de mim e sem eu poder desenvolver projectos, mesmo a partir de casa. Cheguei a ir a um infantário… mas sentia-me culpada porque, efectivamente, eu estava sem trabalho… tinha tempo para ela; de qualquer das formas, não havia vagas. Enfim…. hoje, sinto-me bem por ter sido assim. A Ana é uma bebé feliz e eu, apesar de estar muito limitada para uma actividade profissional em casa, consigo ir fazendo alguma coisa (acabei por criar projectos inimagináveis antigamente) e reconhecendo que foi o melhor para nós. Durmo pouco, muito pouco, para poder fazer mais coisas do meu interesse… mas a Ana come muito bem, dorme o quanto quer de manhã, e em termos cognitivos está bastante desenvolvida (“oh! o meu filho é tão inteligente!!” ).

Ao vê-la crescer começamos a pensar no que vem a seguir. A escola. Mas antes há a pré, que começa aos três anos… para o próximo ano lectivo. E a mim, cá por dentro, não me está a parecer bem. Chamemos-lhe apego de mãe. Talvez seja. E depois? Uma coisa que aprendi neste pouco tempo de maternidade é que eu, como mãe, tenho boa intuição. Eu quero ter tempo para me dedicar a uma actividade profissional e a minha filha terá muito que usufruir de uma escola (aprendizagens, socialização, etc) mas no fundo, no fundo… parece-me muito mais importante eu estar disponível para ela. Eu conheço as escolas: trabalhei em alguns projectos educativos ao nível do primeiro ciclo e fui professora em cursos profissionais ao nível do ensino secundário. Há óptimos profissionais, mas vejo muitos (demasiados) professores primários completamente esgotados e sem capacidade relacional com as crianças. Berros, humilhações, impaciências. Professores com 30 alunos, preocupados com as suas próprias avaliações. Professores preocupados com os exames nacionais dos alunos. Eu estudei pedagogia, sou formada em intervenção comunitária (Animação Sociocultural): muito ideais pedagógicos, Paulo Freire, saber ser, criatividade, formação não-formal, educação pelas artes, e tal, e tal, e tal. Quanto mais se sabe sobre educação, pior fazem os políticos.

Estou num constante conflito interno, e detesto esta sensação. É por isto que me pus a fazer pesquisas na net sobre educação: actividades normais das escolas, curriculums, escolas alternativas e, naturalmente, fui parar ao Unschooling. E ADOREI a ideia. E fiquei temerosa: tão radical, será que funciona, e eu posso confiar nesta minha intuição???… parece tão louco!! Um reboliço de pensamentos: mais pesquisas. Depois de alguns vídeos, mais ou menos propagandistas (que eu sou a primeira a pôr-me em causa!), encontrei este. Um testemunho na primeira pessoa. Uma apresentação simples, inteligente, consciente, e esclarecedora. Astra Taylor cresceu numa família com a filosofia “Radical Unschooling” e apresenta uma palestra de uma hora sobre o seu percurso unschooler.  Esta foi a gota de água para eu dizer: eu quero isto para nós (sabendo que assim não será porque eu sou mais do que eu e não vai haver conflitos sobre o assunto!). Brilhante!

 

2 comentários a “Primeira folha, inspiração

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