Livre para Crescer

Quando começamos a ter curiosidade por alguma coisa (assunto, pessoa, acontecimento, matéria, etc.) começamos a seguir um caminho e de lá vem o que queremos. Descobri o Unschooling há pouco tempo e, desde logo, sedentamente, comecei a procurar informação  nas horas ensonadas das minhas noitadas. Pouquíssimo tempo depois, uma breve reportagem sobre o assunto no telejornal da noite (estes gajos da Tv sempre atrás do que ando a fazer!!!). Dias depois, a propósito de uma pergunta minha num grupo de debate sobre o assunto, alguém me sugere que consulte uma tal de Agnes Sedlmayr. Agnes?? “O nome da mãe que aparecia na reportagem.” Sim, era ela. Não, não a contactei… simplesmente, porque não tinha assim tanta urgência na minha questão. E a vida segue. E, catrapum, a Agnes, apresenta uma publicação sua num e-book de acesso gratuito sobre “Sustentabilidade emocional, parentalidade com apego e unschooling” . Upa!!! (um dia acontecerá de eu falar sobre o significado das “coincidências”). Uma “pequena” dissertação, graciosa todos os aspectos…. da autora à publicação. Como quase todos os registos sobre o unschooling que tenho visto (vídeos, testemunhos, artigos, blogs), tem imprimido a paixão e a profunda crença nesta filosofia (como tem sido comum ver apelidada) que resulta em objectos um pouco propagandísticos. Não o quero dizer num sentido pejorativo. São realizados por pessoas que, de alguma forma, tomaram consciência de algo que as faz vibrar, que lhes iluminou questões que as perturbavam e abriu caminho para uma forma de viver mais pacificada. “E se toda a gente soubesse disto??… o mundo seria melhor!!!”, e há um risco de paternalismo. Mas, enfim, isto é mais uma chamada de atenção para mim mesma, que estou também muito interessada em saber mais e voo com facilidade. E todos nós queremos um mundo melhor.  Li o livro de uma assentada e gostei muitíssimo: está bem sustentado (ainda que com bibliografia conveniente ao unschooling (mas afinal, falamos de quê?!!)), muito libertador nas minhas questões diárias sobre a educação da minha filha (os horários!! o terror para toda a família!)… enfim, ainda estou a digerir o que li. Por enquanto, deixo algumas citações que me interessaram em particular e um profundo agradecimento à Agnes Sedlmayr por partilhar o seu conhecimento e experiência inspiradoras.

 

sacrificarmos a felicidade atual das crianças “a bem” de um eventual bem-estar no futuro. Isto não faz sentido.

  • Temos de lhes devolver a responsabilidade pelas suas ações, o direito à impulsividade, o direito à imaturidade sem castigos e coerção.
  • Controlar quando e quanto uma criança come, o que diz e o que pensa, quando vai à casa de banho, se deve ou não ter frio ou calor, se mente ou diz a verdade, se deve ter sono ou ainda não, se pode andar na erva ou apenas no caminho, se bebeu dez copos de agua nesse dia ou apenas dois, se já sabe os números até 10 ou apenas até 8, se diz obrigada e faz favor, se arrumou os sapatos depois de se descalçar, se come com faca e garfo etc., etc., é uma invasão da privacidade.
  • Vive-se num ambiente de permanente crítica, quando todos os estudos e todo o senso-comum nos informam há anos, que as crianças crescem melhor em liberdade, aceitação e amor. E que aprendem melhor pelo exemplo. Alias, aprendem tudo o que para elas é relevante através do exemplo e da imitação. É um facto sabido, estudado, observado.
  • Brincarnão é seguir regras impostas e arbitrárias de algum adulto que ainda quer fazer passar disfarçadamente uma mensagem pedagógica.
  •  Estar num amontoado de crianças, separado por adultos, numa situação criada artificialmente e da qual não podem escapar se se sentirem desconfortáveis, não é sinónimo de socialização.
    • Dado que as crianças, na nossa sociedade, estão tanto tempo entre iguais, com tão reduzidas possibilidades de conectar de forma contínua com adultos que assumem responsabilidade pelo seu bem-estar emocional, acabam por preencher a sua lacuna afetiva com outras crianças. Isto significa, acabam por procurar modelos de orientação noutros seres tão imaturos e desorientados como elas próprias.
  • Temos de resistir à vontade de ter paz e sossego, convidando o grupo de amigos da criança aos fins-de-semana, deixando a criança a dormir fora regularmente, ou entregando-a a atividades de tempos livres, depois da escola, nas férias e ao fim de semana, nas quais, mais uma vez, estará com poucos adultos conhecidos e emocionalmente acessíveis. Em vez disso, necessitamos de reclamar os nossos filhos, assumir a total responsabilidade de garantir o seu máximo bem-estar emocional.

SOBRE UNSCHOOLING

  • Não acreditamos que a formação escolar seja a chave para a felicidade, mas que uma vida feliz se vive seguindo as paixões, aprofundando os interesses, conectando com quem se ama, aprendendo o que nos faz vibrar, desenvolvendo competências ao próprio ritmo e nas áreas que mais sentido fazem para nós.
    • Como pais, é-nos indiferente se os nossos filhos terão ou não um diploma
  • Consideramos a escola um mundo artificial, uma redoma em que as crianças são fechadas durante toda a sua infância e juventude, longe do mundo real, sem possibilidade de escolha, sem privacidade, sem poder seguir os seus interesses e talentos únicos
  • Por exemplo, não temos regras para ir dormir a certas horas. Se as crianças têm sono, pedem para dormir quando são mais pequenas e precisam de apoio para adormecer, ou simplesmente lavam os dentes e vão dormir quando são maiores e conseguem fazê-lo sozinhas.
  • Dado que não perdemos energias em insistir em obediência e controlar o comportamento dos nossos filhos, temos muito mais energia para conectar com eles, conversar, brincar, acarinhar, nutrir.
  • Ninguém exige que partilhem à força algum brinquedo quando ainda não têm maturidade para compreender o sentido da partilha. Ninguém exige que digam obrigada e desculpa, sinais de respeito que apenas fazem sentido se são de livre vontade, resultantes de maturidade emocional. Ninguém exige que passem tempo com pessoas que não gostam.
  • É, no entanto, complicado assistir a explosões de emoções intensas por parte dos nossos filhos quando nós próprios nunca tivemos o direito de explodir assim. É complicado aceitar a fúria, o choro estridente, os berros, o desespero, a tristeza, a alegria ruidosa, a brincadeira empolgada e barulhenta, a recusa e todos os mais aspetos que caracterizam a exteriorização de sentimentos de um ser ainda imaturo.
    • É importantíssimo recordar diariamente que é saudável e reconfortante poder libertar as emoções junto de quem nos ama incondicionalmente.

NOTA: Agnes Sedlmayr é tradutora, mãe, ativista pelos direitos da criança, pela parentalidade com apego e unschooling.

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