os encantos dos subúrbios

Quase toda a minha vida vivi nos subúrbios e desses lugares, que não são carne nem peixe, poucas ou nenhumas vantagens vejo. É tudo “mais ou menos”, mais ou menos campo, mais ou menos cidade, mais ou menos cultura, mais ou menos gente da terra, mais ou menos bailarico no adro da igreja, mais ou menos malucos na rua. E só vim a descobrir isto depois de ter vivido uns dois anos dentro de Lisboa em que a minha vida era mesmo outra. Tinha tudo à porta de casa: todos os Teatros e Bibliotecas e Cinemas e parques e becos e malucos da cidade à distância de uma pedalada ou viagem de metro. E ainda viajava muito para todo o país. Viver fora do muro de uma cidade é mesmo diferente de viver dentro do muro, ainda que a paredes meias.

Depois, dois passos à frente e um para trás, e voltei para Águas Santas. Aqui, neste Formigueiro, andar de bicicleta é ter de enfrentar grandes subidas… tanto para sair como para voltar. Autocarros… vários, até chegar ao destino. Viva o 61 que nos leva directos à praia de Matosinhos!!! Não gosto de conduzir (são milhares e milhares de quilómetros ao volante! já não posso mais!) mas lá tem de ser porque se não sairmos daqui não saímos daqui. Havia mais liberdade no meio do monte ou numa aldeia recôndita. (uma bela hipótese!! as festinhas aos cavalos seriam um gesto inteiro e profundo, próprio do convívio diário)
Mas… vivemos numa casa grande com espaço para todo o carnaval que inventamos entre computadores, trapos e brinquedos e livros e papéis e ainda espaço para caixotes cheios de passado mais um quintal(zinho) para pisar terra de verdade. Por perto temos vizinhança da fauna mais diversa e louca (as idas aos cafés da zona estão suspensas até a telenovela acabar!), mas aqui juntinho temos os mais queridos vizinhos do mundo!! Mesmo!

Enfim, não gosto, não me posso queixar e todas essas coisas em que não adianta pensar.
Vamos sair Ana? Vamos ali àquele parque que não tem baloiços e o escorregão está todo podre?  VAMOS!! YUUPIII! Anda mamã, estamos atrasadas!!

Saímos e logo eles vêm ter connosco: os encantos. Em qualquer caminho tropeçamos em novidades e diversão. No fundo, no fundo de casa, eu é que não vejo as vantagens… não são os subúrbios. Eu é que ando mais ou menos.

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