Lembrancinha de aniversário

 

Este ano entrei, definitivamente, no mundo das festas de aniversário infantis! Pela primeira vez, aos 5 anos de aniversário da Anamé, decidimos organizar uma festa com convidados e tudo. Tudo, tudo… mais ou menos! Quis fazer “o tudo” em casa, quase sozinha… o que implicava, uma pequena produção, algo simples mas com tom de festa garantido. Não consegui fazer a decoração, as comidas e a “surpresa!” do ano passado, mas lá estava um pouquinho disso tudo.

Uma das coisas que me preocupam nestas festas para crianças é a quantidade de guloseimas que normalmente estão disponíveis. E se já no ano anterior consegui evitar doses industriais, este ano, nem me preocupei com isso. Os rebuçados e os chocolates só deram mesmo para a amostra. E nem mesmo a lembrancinha da festa teve gomas rebenta dentes. Eu sou mesmo má, mas não tive reclamações.

Nas semanas anteriores, pus-me a pensar na alternativa a um saco de doces como lembrancinha de agradecimento aos pequenos convidados. O meu Pinterest ficou carregadinho de ideias e de lá inspirei-me para fazer este saquinho “Jogo do Galo”. Assim, resulta numa recordação diferente e mais duradoura. Claro que também não sou assim tão tão má – dentro do saquinho onde estão as pecinhas do jogo acrescentei um pequeno pacote com as bolachas preferidas da Anamé: as Mulatas, da Moaçor, compradas na melhor mercearia regional de todo o Porto – O Mercadinho dos Açores.

As saquinhas são feitas com uma chita portuguesa (daquelas coisas, como o fado, que detestava em criança e hoje amo de chorar de emoção) que encontrei na feira (já as tenho comprado na Feira de Espinho, mas esta veio da Feira de Santana… sim, adoro a feira, sou uma feireira!). As pecinhas são tampinhas de garrafas que forrei com borracha de balões. A ideia original era forrá-las com tecido, mas não tive tempo e esta solução também resultou muito bem.

Correu tudo lindamente. Os miúdos divertiram-se, a Ana estava ao rubro e a casa ficou virada como era previsto. Foi um dia mesmo feliz! Feliz como o meu encontro com a almofada ao final do dia!

 

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Neca – O Jogo da Macaca

Quantas vezes saltei à macaca? É que nem me atrevo a fazer um cálculo! Era fácil, rápido e divertido. Um risco no chão, mesmo torto, e toca a saltar! A Ana já há uns tempos que me pede para lhe ensinar… faço-lhe o risco no chão e depois… é suficiente! Regras para que é que ela as quer? Para nada! Ela é que sabe!! Pois!
Com o tempo frio a cheirar o aniversário dela, lembrei-me que seria uma boa prenda a pensar nos dias de Inverno chuvoso em que apetece mesmo saltar!!

Esta Macaca chama-se Neca porque é feita com várias capulanas a combinar em cores… e é esse o nome do jogo em Moçambique.

Ela tem cerca de 2,10 metros de comprimento e 95cm de largura. É feita com uma bombazine vermelha linda que comprei nos ciganos na Feira de Santana e retalhos de várias capulanas com várias origens (Moçambique, Angola e até do Mundo dos Tecidos na baixa do Porto). A “pedrinha” também é de tecido e cheia com arroz. Para o forro usei uma loneta com elefantes vinda de uma caixa de retalhos, sei lá de qual, com cores a combinar com tudo o resto. Acrescentei ainda uma tela anti-derrapante para evitar escorregadelas, comprei numa loja do chinês.
Desta vez, e depois de um período em que recusei rotular os meus trabalhos, impus uma bela etiqueta d’ A Naïf bem vistosa. Fiz-lhe um saco para a guardar.

Estou orgulhosa desta obra, confesso! Por isso, estou entusiasmada para começar a fazer para quem mais quiser! Alguém mais quer? (tenho aqui uma bombazine verde musgo que promete uma Macaca linda, mas também está habilitada para um vestido!).

 

quando a vida está em silêncio
não se ouve
não se vê
quase nem cheira
não desaparece

silêncio
desaparecimento da vista
desaparecimento do toque

o silêncio não se sente
tudo contínua igual
sem olhar para o céu
braços abertos
sem entrega
infinito amor

no silêncio o amor é silêncio
um amigo é passagem
o amigo é silêncio
o batimento do coração é só espera
a espera em silêncio é vida em silêncio
o barco
o Tejo
o beijo
o amigo
o voar
o ir
o rir
tudo coração
tudo espera

Brincar, Orar e Amar

Quase do nada, depois de ver os peixinhos que fiz para o Gustavo, alguém que não conhecia mais nada do meu trabalho, pediu-me para fazer alguma coisa para um menino que ia fazer a Primeira Comunhão. Assim, simplesmente! E há algo em mim que, simplesmente, não consegue dizer que não… Como não aceitar um pedido acometido de tal cega fé no meu trabalho??

Trocámos algumas breves impressões sobre o Tomás e o que fazer para lhe oferecer: algo relacionado com o desenvolvimento da espiritualidade do menino.

Comecei por realizar algumas pesquisas sobre a Primeira Comunhão católica e achei que partindo daí poderia sugerir algo mais abrangente a nível espiritual. Surgiu então a ideia de um pequeno oratório que o Tomás poderia usar para rezar/meditar/orar de acordo com a sua forma de o fazer. Encontrei alguns trabalhos têxteis delicados e maravilhosos que me deram confiança na ideia.  Idealizei o formato e a funcionalidade mas era preciso criar os elementos da composição. Criar… Criar… Criar… LIJÓÓÓ!!! Laranja!!!! Tive de passar a batata mais quente à minha querida Lígia Santos. Era preciso um desenho! Dei-lhe algumas, muitas, demasiadas, directrizes e ela… bloqueou mais de um mês! E de repente… quando eu já quase não tinha tempo para executar.. plim! apresentou-me o mais lindo desenho que poderia desejar para este trabalho! É, ou não é??

Depois foi imaginar o que fazer com ele! Simplesmente, bordar como nunca o tinha feito em bordado livre! Confesso que este trabalho foi o meu Pequeno Curso de Bordado Livre!! A minha mãe é a grande mestra do bordado, mas só uma ou duas vezes lhe pedi para me ensinar os pontos básicos (em trabalhos que nunca terminei!) e fiz um ou outro trabalho minúsculo (Uau! tudo com desenhos da Lígia!!). Bem, sabia pouco, mas tinha visto horas!!! Digamos que foi um teste de prática. Correu bem!! Sinto-me apta! … a melhorar!! Que tal?

Ainda andei na net à procura de instruções para alguns pontos que já me esquecera. Ponto atrás, ponto cadeia, ponto cheio, ponto pé-de-flor, nozinho francês, ponto de areia… enfim, ainda me treinei bem!

Finalmente, dediquei-me a acrescentar pequenos elementos para compor a funcionalidade de um oratório: duas bolsinhas para guardar velas e incensos, um terço colorido para combinar e algumas sugestões para meditação. Curiosamente gostei particularmente da criação das meditações. Comecei por pensar em alguns temas que considero importantes (gratidão, amizade, corpo, auto-estima) e acabei por encontrar alguma ajuda num livro da Anamé – “Caminho para uma Vida Feliz” de Deepak Chopra (sim, da Anamé… foi ela que o escolheu numa feira do livro… tinha uns 2 anos!), que me levou a outros temas (sonho, perdão, dar e receber, paz) sobre os quais escrevi algumas palavras. Enfim, são apenas sugestões. O Tomás depois usa como entender.

A frase, que se apresenta em latim, é de São Tomás de Aquino, xará: “Ludus est necessarius ad conversationem humanae vitae” (O brincar é necessário para a vida humana). Pareceu-me perfeito! Há lá melhor coisa do que cultivar o brincar? Para mim é a única forma de crescer e ser feliz ao mesmo tempo.

Por fim, considero que a parceria com a LijóLaranja fica definitivamente assumida, assinalada e selada; e que me tornei numa bela bordadeira júnior! Amém!

 

 

P.S. – Já repararam que tenho um carimbo lindinho?? (Fui eu que o fiz!)