Carnaval Bug

15440278845c07feecaa7e1_1544027884_3x2_mdEste ano não sugeri nada, aceitei sem resistência a proposta da Anamé para ir mascarada de LadyBug no Carnaval. Fazer o quê? Proibir ecrãs até ao virar do século??? Enfim! Só tentei perceber se era exequível. “Um fato colante” , claro que era impossível! Ahahah! Até à última hora tínhamos combinado que se não resultasse ela iria de Capuchinho Vermelho da loja do Chinês (que me custaria tanto quanto os lamés que comprei para fazer a fatiota!). AHAHAHA! Imaginem o (des)acordo!

Olá! Eu sou a Anamé! Uma miúda especial com uma vida especial. Mas no Carnaval, sou a Ladybug!

Comer sem sujar

Porta talheres promo APorta talheres promo B

Esta é a minha última criação: um porta-talheres que se transforma em individual! Já se sabe… não é a descoberta da pólvora, mas fiquei muito feliz com o resultado porque é um pouco diferente e mais prático e completo do que andei a ver por aí.
Depois de pesquisas insanas sobre modelos, necessidades e praticidades (o que me deixou meia perdida!) decidi voltar a mim, ao que “eu” necessitava e às críticas aos produtos que já se vêm no mercado.
Comecei com a ideia de fazer um porta-talheres comum (já vamos nisto, porta-talheres “comum”!! Lindo!)… daqueles com um lugar para cada objecto. Mas ao pensar bem no assunto, achei que andar a enfiar cada talher num buraquinho diferente era uma grande seca! A ideia é reutilizar talheres, não é fazer-lhes carinhos! E depois, era muito pano para embrulhar poucos objectos; era pano suficiente para um individual! Ainda me pus a inventar pequenos estojos ou pequenos sacos…. mas era a mesma coisa que um porta-lápis ou um talego e isso não me estimulou lá muito. A martelar na minha cabeça ficou o “pano para um individual”…
Foi esse pensamento que me levou a desencantar isso mesmo, uma bolsa/individual. Se é para ser lixo zero, então abulamos todo o lixo que a restauração nos inventa. Quantas folhas de tabuleiro já não usámos na nossa vida? Agora é possível acabar com isso também!!!
Então, com esta maravilha é possível em qualquer lugar usar:

  • talheres reutilizáveis
  • guardanapo reutililizável
  • pano de tabuleiro reutilizável
  • palhinha reutilizável
  • colher de café ou de sobremesa reutilizável (oh! colherzinhas de café descartáveis! Xô!!!)

e não fazer lixo!! Yeah!!

A partir de hoje, a Botica Naïf vai começar a disponibilizar os mais lindos Porta-Talheres que consegui inventar até agora. Mas não sei se vai ser por muito tempo, porque eles já têm caminho garantido para a Porta dos Sentidos! (Esqueçam esta parte da pressão para o consumo! Não precisam de correr. Eu faço mais. Tranquilamente, eles chegarão para as necessidades.)

E já agora… eu vou disponibilizar os talheres de madeira bonitinhos, mas também é coisa que podem evitar porque os talheres lá de casa fazem o mesmo melhor efeito! (não digam à Botica Naïf que eu vos disse isto!)

Botica Naïf

Botica| s. f.

Venda de remédios têxteis.
Loja pequena com coisas gentis. Boutique de artesanato.

As magnólias já floriram, o frio já nos basta e está tudo a querer crescer. Pelo menos, no meu mundo. E eu, nestes dias, ando com vontade de fazer desabrochar um trabalho que já leva 5 anos: de artesã sem carta. Torná-lo vivo, aberto e acessível. Para isso, neste último mês esforcei-me em formalidades e comunicação. Tornei-me legal. Inventei um plano de negócio, um nome. Pus lá dentro o que quero fazer e como. Empenhei-me a fazer uma loja-online. Pedi à minha designer preferida para me fazer um logótipo lindo. E ficou ainda melhor. Acho que está tudo pronto! Agora estou à espera não sei bem de quê… De…
Amanhã! Só porque já não posso esperar mais e é o início… do meu mês. Estreio a Botica Naïf.

apresentação 2

Vou continuar a viver entre mundos. A fazer tudo ao mesmo tempo. A sofrer com tudo. A desarrumar a casa mais do que a minha criança. Fazer o mais possível o mais devagar possível. Continuar a caminhar por onde acho melhor… já que não posso ser árvore e passar os dias a transformar luz.

Mudar a Fralda a um Sonho

Quando um filho é arrancado das estrelas à força do sonho, ele ainda na barriga da mãe já faz magia. Por exemplo: a Clara, fez-me fazer este muda fraldas para ela! Ela… prestes a tornar-se abraçável já faz o mundo mover-se na direcção da ternura e do sonho. Eu só cumpro ordens! Ela aí vem, vocês vão ver como o mundo vai ficar cheio de luz Clara.

 

 

(A citação é da Alice do filme “Alice do outro lado do espelho” do Tim Burton …uma linda sublimação das citações maravilhosas do Alice no País das Maravilhas e do Alice do Outro lado do Espelho. Um mantra para vida a lembrar como é que a Clara cá veio ter. )

 

Oficina de Teatro Feliz

O teatro, por mais voltas que o mundo dê, lá volta ele. Foge, deita-me a língua de fora, chuta-me nas canelas, vira-me costas e depois… lá volta ele, de cabeça baixa, a pedir perdão e a ser generoso como nunca. Amo-o hoje ainda mais porque, finalmente, sou livre dele. Só me entrego quando me trata bem, quando é verdadeiro, colectivo e amoroso (mas deixo-o ser assustador e pode deitar a língua de fora e pôr-me furiosa e insone sem saber como o apanhar… gosto do jogo da criação!).

Este meu ano de 2018 começou com teatro a trabalhar com crianças e acabou de igual forma, a trabalhar com séniores. Responsável por isso é o Teatro Art’Imagem que me ofereceu um lugar de crescimento e não quis saber dos meus “se’s” e sorrisinhos nervosos de medinho  (o meu clássico mais aborrecido!). Liberdade com chave na mão!

Eu gostava de falar sobre esta última Oficina que dirigi e da construção dos espectáculos apresentados (exigiam-se exercícios de teatro, mas sempre conseguimos um pouco mais). Só que deixei passar demasiado tempo para escrever e o meu espírito já está em modo de balanço do ano. Mas a sensação que mais retenho é de que chegou o meu momento da retribuição. Passei 20 anos de teatro a ultrapassar medos, a limpar constrangimentos (ainda tantos para sacudir), a aprender a voar; com ajuda de muita gente que me atirou para a aprendizagem de mim própria. E neste último trabalho do ano, ao dar formação e trabalhar com pessoas mais velhas do que eu, naturalmente com mais mundo (mundos muito próprios, depurados) vi-me no papel de dar, ou melhor, de devolver. Que sensação tão plena de felicidade. Foi mesmo um processo feliz! Eles agradecem-me a sua própria experiência e isso põe-me nas nuvens… lá onde tudo o que faço faz sentido. O que eles parece não entenderem é que eu funciono como um espelho. Sou aquilo que me dão. E o meu maior orgulho foi ver a superação de cada um a par da minha! eheheh!

Trocámos mundos, falámos do passado no presente na memória de três gerações, os homens fizeram de mulheres e as mulheres de homens, discutimos dificuldades (algumas vezes no silêncio… oh! cada vez mais gosto do silêncio! Mas também fizemos barulho!) . Podemos, é só nos permitir-mos. Como as crianças, crescemos. Juntos.

“Tasca Basta”

a partir da obra “O Livro Do Desassossego Posto Em Sossego” de Angelino Santos Silva e vários autores da poesia portuguesa

Adaptação dramatúrgica – Marília Teixeira
Dramaturgia e Direcção – Andreia Macedo
Interpretação – Albano Fernandes, Angelino Santos Silva, Ermelinda Fernandes, Eugénio Rocha, Fernanda Pereira, Laura Lino, Margarida Maria Amado, Margarida Rebelo, Maria de Lurdes Ferreira, Marília Teixeira, Rosalina Santos e as estagiárias Bárbara Querido e Maria Eduarda Seco
Assistência de Encenação – Luísa Castro

Sinopse
Partimos de um retrato narrativo de uma pequena taberna de aldeia nos anos 50, para falarmos do que está lá mas não se vê sem a consciência da História. Em dois breves meses estivemos a levantar o pó da memória que atribui uma patine romântica a um tempo em que a desigualdade de género e as restrições imperavam e a ditadura marcava os gestos de cada um. Voltamos lá atrás, com o espírito e os corpos com que hoje nos expressamos. Descobrimos que somos ainda feitos do que aconteceu e que, afinal, a liberdade é também um desafio. Mas é com ela que revelamos o passado: desafiamo-lo com a liberdade que hoje temos e queremos garantir para o futuro.


Em Janeiro, volto à Quinta da Caverneira do Art’Imagem para a Oficina Teatrinho ao Palco. Crianças!! Vamos ao palco crescer para a vida!

Nota: As fotografias são do André Rabaça (um deles, que pouco quer saber do que bloqueia e só dá espaço para o que avança!).

Outra Nota: não ia falar de ninguém em especial, mas o Zé Lopes é alguém especial no Art’Imagem. Pronto, já me calei.

Poesia em Trânsito

Jamais me irei cansar de repetir: adorei fazer este projecto!! Mais uma vez assim foi!

Parece uma grande mochila circular, não é? E é! Mas não é só “estilo”, tem um propósito especial, maravilhoso, extraordinário!! É para proteger um objecto que irá viajar para encantar!

Vamos ver um vídeo para começar:

Isto são Isolation Hoops (arcos de isolamento(?)) usados para alguns números de circo e ilusionismo. É giro! Ora, isto é coisa para viajar pelo mundo e para isso é preciso protege-los! E eu fiz um saco para isolar os arcos de isolamento da Fanny, a responsável por mais uma encomenda extraordinária!

A Fanny e a sua família esta semana despedem-se de Portugal depois de dois anos, porque a vida desejada assim os leva para outras paragens. Foi um pingo de mel nas nossas vidas e eu estou muito feliz de me poder despedir dela assim. Em criação e alegria.

Ela só me deu as medidas e uma ideia do que queria: um esquema e um exemplo (uma das bolsas  da HappiHeartHoops ):

Simples! Mais uma vez, parece simples e depois, com as agulhas nas mãos nem tanto… especialmente quando uma pessoa se põe a inventar reutilização de materiais!!! Pois então, se é nesse caminho que estou, é por esse caminho que vou!

Na calha estava aliviar o stock de velhas calças de ganga que aqui andavam (e andam, sobrou para mais umas bolsas!). Juntei o material que o projecto que tinha na cabeça precisava (vermelho!!) e resultou, sem provas sequer, impecável!!! O forro é numa clássica chita portuguesa, bem reconhecida, como que um sinal de vida lusa para a Fanny despertar a lembrança. Enfim, não vou cansar com os pormenores da execução. Ela adorou, com direito saltinhos de alegria e tudo. Foi pena não ter tirado fotos!! Fiquei apenas com estas fotos tão fracas… no meio da alegria, esqueci-me de tirar boas fotografias do projecto! Mas aqui fica para a posteridade e para que se saiba que agora também trabalho para o circo!

Vestido-Íris

Vestido Arco-Íris 1

Aos poucos, os pedidos para fazer criações originais vão aumentando e surgindo como que presentes para a minha vaidade de artesã. Amo! Encho-me de brios e supero-me. Hoje terminei este vestido para uma bebé que está prestes a fazer 1 ano de vida, de cor e alegria. Surgiu de um pedido excepcional da Raquel que, como já antes outras pessoas, depositou em mim uma fé maravilhosa e aceitou um resultado surpresa! É esse o nosso contrato, dizem-me o que querem (e nem sempre sabem muito bem), eu estudo o assunto e proponho uma surpresa. Não é magnífico?? Desta vez a Raquel deu-me algumas coordenadas muito interessantes: as cores do arco-íris, um figurino de festa mas… com materiais reutilizados. Era o pedido que eu vinha a desejar há muito tempo! É um caminho que tenho vindo a trilhar, ainda que timidamente, e sei que vou bem.

Grande parte dos materiais acabaram por não ser propriamente tecidos em reutilização, mas antes materiais em fim de linha. Tenho séria dificuldade em destralhar aparas mínimas e… ainda bem! porque tenho muitas por onde escolher cores para um arco-íris! Entre estas seis cores tenho: uma almofada roxa (ah! o violeta é mesmo reutilizaçao – era de uma almofada desfeita!), sobras minúsculas de outros trabalhos, um rosa/vermelho de um projecto que ficou por terminar (talvez uma saia, não sei, o projecto não era meu), e um retalho branco e outro floral colorido que cada um por si não chegava para uma roupinha de bebé – tive de os combinar… o segredo da melhor das criações é não ter pano que chegue, ehehehe!

E agora sim! A reutilização de materiais, singela! mas que se deu de forma muito feliz:
Para as gotinhas de chuva utilizei o plástico de insufláveis estragados. Há muitos muitos anos, estive a produzir um espectáculo de teatro cujo cenário e adereços seria unicamente feito de insufláveis. Criativamente foi uma ideia muito boa, mas que infelizmente não chegou a ir para a frente. Os insufláveis acabaram por ser usados convencionalmente até se estragarem e desaparecerem. Sobraram-me três cores que combinadas deram seis! Plim! Chuva!

Para os pompons, usei as lãs que a minha mãe abandonou aqui em casa. Se eu tenho panca de guardar materiais… ela então, é o lixo zero das artes em pessoa! Sobras e linhas de camisolas desfeitas andam para aqui aos pontapés (o que eu já lhe pedi para levar tudo daqui!!!). O forro foi feito de um velho lençol branco.
O tule é a peça maior e é uma sobra de um outro projecto e a renda vem do final de uma pequena confecção (eu devia ter feito um artigo sobre esta história!! Aqui há uns tempos comprei um lote de material de costura já muito antigo (fitas, botões, tecidos, galões, elásticos, fechos etc. e etc. ) a uma senhora que teve uma pequena confecção que fechou há anos e que finalmente “teve coragem” (como a compreendo!) de destralhar todo o material que já não usava).
Novos em folha são apenas o fecho e as linhas de costura que seriam as únicas coisas que teria de comprar se já não cá estivesse pelo atelier.

O vestido é feito com base no molde Blake da Mingo and Grace de que já tinha feito uma versão para a Anamé. Fiz alteração à parte de baixo, acrescentando uma saia balão de tule e reduzindo a saia a uma pequena faixa. É que o tecido não dava para mais!- ainda tive que acrescentar outros tecidos na parte de trás para o completar. Ou seja, foram problemas que por si só foram soluções – a falta de pano foi perfeita para se ver a saia de tule com os pompons e para lhe dar um pormenor tão especial nas costas.Vestido Arco-Íris 5

Agora, o que mais quero é saber como fica o vestido à mais linda pessoa arco-íris da Raquel!
Entretanto… já tenho em mãos mais um encomenda destas: especial e completamente diferente! A seguir vou para o circo!!!! Siga! 🌈