Poesia em Trânsito

Jamais me irei cansar de repetir: adorei fazer este projecto!! Mais uma vez assim foi!

Parece uma grande mochila circular, não é? E é! Mas não é só “estilo”, tem um propósito especial, maravilhoso, extraordinário!! É para proteger um objecto que irá viajar para encantar!

Vamos ver um vídeo para começar:

Isto são Isolation Hoops (arcos de isolamento(?)) usados para alguns números de circo e ilusionismo. É giro! Ora, isto é coisa para viajar pelo mundo e para isso é preciso protege-los! E eu fiz um saco para isolar os arcos de isolamento da Fanny, a responsável por mais uma encomenda extraordinária!

A Fanny e a sua família esta semana despedem-se de Portugal depois de dois anos, porque a vida desejada assim os leva para outras paragens. Foi um pingo de mel nas nossas vidas e eu estou muito feliz de me poder despedir dela assim. Em criação e alegria.

Ela só me deu as medidas e uma ideia do que queria: um esquema e um exemplo (uma das bolsas  da HappiHeartHoops ):

Simples! Mais uma vez, parece simples e depois, com as agulhas nas mãos nem tanto… especialmente quando uma pessoa se põe a inventar reutilização de materiais!!! Pois então, se é nesse caminho que estou, é por esse caminho que vou!

Na calha estava aliviar o stock de velhas calças de ganga que aqui andavam (e andam, sobrou para mais umas bolsas!). Juntei o material que o projecto que tinha na cabeça precisava (vermelho!!) e resultou, sem provas sequer, impecável!!! O forro é numa clássica chita portuguesa, bem reconhecida, como que um sinal de vida lusa para a Fanny despertar a lembrança. Enfim, não vou cansar com os pormenores da execução. Ela adorou, com direito saltinhos de alegria e tudo. Foi pena não ter tirado fotos!! Fiquei apenas com estas fotos tão fracas… no meio da alegria, esqueci-me de tirar boas fotografias do projecto! Mas aqui fica para a posteridade e para que se saiba que agora também trabalho para o circo!

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Vestido-Íris

Vestido Arco-Íris 1

Aos poucos, os pedidos para fazer criações originais vão aumentando e surgindo como que presentes para a minha vaidade de artesã. Amo! Encho-me de brios e supero-me. Hoje terminei este vestido para uma bebé que está prestes a fazer 1 ano de vida, de cor e alegria. Surgiu de um pedido excepcional da Raquel que, como já antes outras pessoas, depositou em mim uma fé maravilhosa e aceitou um resultado surpresa! É esse o nosso contrato, dizem-me o que querem (e nem sempre sabem muito bem), eu estudo o assunto e proponho uma surpresa. Não é magnífico?? Desta vez a Raquel deu-me algumas coordenadas muito interessantes: as cores do arco-íris, um figurino de festa mas… com materiais reutilizados. Era o pedido que eu vinha a desejar há muito tempo! É um caminho que tenho vindo a trilhar, ainda que timidamente, e sei que vou bem.

Grande parte dos materiais acabaram por não ser propriamente tecidos em reutilização, mas antes materiais em fim de linha. Tenho séria dificuldade em destralhar aparas mínimas e… ainda bem! porque tenho muitas por onde escolher cores para um arco-íris! Entre estas seis cores tenho: uma almofada roxa (ah! o violeta é mesmo reutilizaçao – era de uma almofada desfeita!), sobras minúsculas de outros trabalhos, um rosa/vermelho de um projecto que ficou por terminar (talvez uma saia, não sei, o projecto não era meu), e um retalho branco e outro floral colorido que cada um por si não chegava para uma roupinha de bebé – tive de os combinar… o segredo da melhor das criações é não ter pano que chegue, ehehehe!

E agora sim! A reutilização de materiais, singela! mas que se deu de forma muito feliz:
Para as gotinhas de chuva utilizei o plástico de insufláveis estragados. Há muitos muitos anos, estive a produzir um espectáculo de teatro cujo cenário e adereços seria unicamente feito de insufláveis. Criativamente foi uma ideia muito boa, mas que infelizmente não chegou a ir para a frente. Os insufláveis acabaram por ser usados convencionalmente até se estragarem e desaparecerem. Sobraram-me três cores que combinadas deram seis! Plim! Chuva!

Para os pompons, usei as lãs que a minha mãe abandonou aqui em casa. Se eu tenho panca de guardar materiais… ela então, é o lixo zero das artes em pessoa! Sobras e linhas de camisolas desfeitas andam para aqui aos pontapés (o que eu já lhe pedi para levar tudo daqui!!!). O forro foi feito de um velho lençol branco.
O tule é a peça maior e é uma sobra de um outro projecto e a renda vem do final de uma pequena confecção (eu devia ter feito um artigo sobre esta história!! Aqui há uns tempos comprei um lote de material de costura já muito antigo (fitas, botões, tecidos, galões, elásticos, fechos etc. e etc. ) a uma senhora que teve uma pequena confecção que fechou há anos e que finalmente “teve coragem” (como a compreendo!) de destralhar todo o material que já não usava).
Novos em folha são apenas o fecho e as linhas de costura que seriam as únicas coisas que teria de comprar se já não cá estivesse pelo atelier.

O vestido é feito com base no molde Blake da Mingo and Grace de que já tinha feito uma versão para a Anamé. Fiz alteração à parte de baixo, acrescentando uma saia balão de tule e reduzindo a saia a uma pequena faixa. É que o tecido não dava para mais!- ainda tive que acrescentar outros tecidos na parte de trás para o completar. Ou seja, foram problemas que por si só foram soluções – a falta de pano foi perfeita para se ver a saia de tule com os pompons e para lhe dar um pormenor tão especial nas costas.Vestido Arco-Íris 5

Agora, o que mais quero é saber como fica o vestido à mais linda pessoa arco-íris da Raquel!
Entretanto… já tenho em mãos mais um encomenda destas: especial e completamente diferente! A seguir vou para o circo!!!! Siga! 🌈

Um nascer especial

O Tiago esta semana tornar-se-á sonoro.

“As Crianças Têm de Ter Muita Paciência com os Adultos”
Enquanto dava pontos no muda-fraldas novo para o Tiago, veio-me à ideia de que “talvez eu me esteja a tornar uma Artesã Defensora dos Direitos das Crianças…!”. Uma Craftivista subliminar!! Eu sabia que o Craftivismo me tinha contaminado, que era um projecto já para 2018 – que (pensava eu) andava a adiar. Mas quer-me parecer que é uma ideia que assim que me chegou assim se fez acontecer com ou sem intenção … Eu já tinha feito algo singelo, mas desta vez só se tornou consciente depois de estar quase tudo pronto…

espera…

Agora, pensando melhor… isto já vem de antes… lembro-me quando fiz o Oratório do Tomás vibrava com a ideia de colocar no trabalho artesanal as minhas ideias de defesa da criança. Ai… vou pensar melhor sobre tudo isto… alguma coisa especial precisa de nascer. Tiago!! Tiago, vou ter de ir de férias para refrescar as ideias, porque quando eu voltar, e tu já estiveres a encantar este mundo, sou capaz de fazer coisas bonitas… Obrigada, bebé! Ainda não chegaste e já me trouxeste luz! És muito bem-vindo!

TPC – Ouvir Poesia

Aniversário TPC
ao ouvir poesia descubro o não dito de quem diz
ao dizer, esbardalho-me toda

antigamente, ouvir poesia era muitas vezes para mim um exercício de bondade: as desculpas dos amadores, a vaidade dos profissionais, a incompetência dos autores, a minha timidez, o meu horrível temor. torturavam-me. não conseguia ouvir com tanto barulho que me envolvia o espírito.
mas à medida que eu mais e mais fui dizendo, e me deixei de merdas, de medos, de maquilhagem e figurinos, mais espaço abri para o prazer de ouvir.
hoje é um exercício de adivinhação. uma graça. um encontro secreto. A voz, o corpo, o olhar, os tropeções, os silêncios, tudo me fala de quem diz. adoro. a poesia é um pretexto para estar presente.

este fim-de-semana ouvi mais poesia do que nunca. estive presente. sem falar. eu gostava de cumprir uma atitude social correcta. tomar um copo. dizer que gostei muito. mas como digo à Bárbara Bruno que ela me parecia fogo a moldar palavras vidro, sem eu parecer parva? pelo menos pude também dizer poesia para me dizer sem ter de usar das minhas palavras.

 
no 4º aniversário das Terças de Poesia Clandestina (TPC) organizadas pelo Vasco Macedo, meu coiso (Lisboa)
(e, ainda, a ouvir n’ “Sonho de um dia na Caverneira – 2018“, organizado pelo Art’Imagem (Maia))

 

Histórias de Histórias

Foto espectáculoSeis meses de descobertas. minhas e deles. descobrir que podemos bem mais do que sabemos. e crescemos. tornámo-nos melhores. juntos. ❤

 

CartazC.M.M/Teatro Art’Imagem

Espectáculo – Exercício Final Oficina Teatrinho ao Palco 2018 | Histórias de Histórias
30 de Junho de 2018 |16h00 |30 Minutos |M/5

Se através das histórias falamos subliminarmente sobre as nossas próprias histórias, então através das histórias das histórias conseguimos trazer à expressão a matéria inefável de que somos feitos.
A Oficina Teatrinho ao Palco propõe-se a essa descoberta de universo individual e da sua relação com o mundo: “aprender a ser e a crescer com o Teatro”. E, mais uma vez, é Manuel António Pina a acrescentar a magia para um Exercício Final Público com algumas das metanarrativas do seu escaravelho contador de histórias. Algumas confusas, estranhas, felizmente tristes ou vice-versa, histórias que nem se contam, como as de qualquer um … Mas, desta vez, quem as vem contar são crianças que, em palco, as reinventam e se reinventam com elas.

Formação e Encenação: Andreia Macedo | Autor: Manuel António Pina | Interpretação: Alexandre Bento, Ana Senhorinha, Cátia Fontes, Inês Senhorinha, Maria Beatriz Ramalho, Maria Inês Maia, Maria Santos, Raquel Cardoso, Sofia Ferreira, Sofia Sobral, Susana Ferreira, Tiago Cláudio, Tomás Moreira

Choveu

Maia Arma SecretaNão dissemos poesia porque a chuva disse melhor.

(mas quarta-feira vamos superá-la!!)

 

 

A Feira do Livro da Maia está a decorrer no lindíssimo espaço da Fundação Gramaxo, bem perto do centro da Cidade. Com um pequeno passeio a pé vão descobrir um pequeno encanto escondido.

Mãe, o avô nunca subiu ao farol!

Farol 1

Eu não sei se o avô alguma vez subiu ao Farol da Boa Nova (acho que não!) mas que durante mais de trinta anos passava por ele quase todos os dias… ulálá! se não passava! para ir trabalhar entre cheiros petrolíferos e chaminés de fogo. E se de cima do farol se vê toda a Refinaria da Petrogal… de toda a  Refinaria vê-se o farol, tirando os dias de nevoeiros em que nem o faroleiro vê o farol! Mas na altura, quando o trabalho era emprego, até podia não se ver o farol… mas, ouvia-se-lhe a ronca e já todos sabiam que não estava bom para ir à praia (depois do turno, claro).

Farol 213

Farol 2Farol paisagem 1Farol lâmpada 1Farol lâmpada 2Farol 3Farol praiaFarol praia 2
O avô já não trabalha ali. Agora anda de barco. E passamos a apreciar os barcos. A mãe preocupa-se em encontrar o que se pode aprender em cada degrau do farol. 213 coisas a aprender, entre matemática, língua portuguesa, estudo do meio, educação física (uf! sem dúvida!), artística… O vento diverte. A paisagem engrandece. A alegria faz falar sem parar. O elevador é para quando ninguém está. O farol é muito alto e chega muito longe (28 milhas nauticas = 52 quilómetros). Ainda é útil porque é a única coisa real e que não está ligada aos que mandam em tudo. O que eu aprendo… O que ela aprende, muito maior do que o farol. O sol, a areia, a água e o vento. Sempre eles com ela.