O que eu andei a namorar o Umberto Eco!! Oh! Sim! Tinha três histórias para crianças em que queria mergulhar, e há muito que tentava. Das três, “A Bomba e O General”, apesar de gostar muito dela, era a menos pertinente… eram tempos em que a história soava antiquada. Já me tinha feito a’ “Os Gnomos de Gnu” com um grupo de crianças para falarmos sobre ambiente, mas veio a pandemia e acabou com todas as histórias no palco… Desta vez, veio a guerra, veio um grupo sénior, veio a minha angustia e eu decidi que era agora que resolvia tudo! E resolvi! Percebi que a minha angustia perante o trabalho não é de meter medo, é de levar debaixo do braço e ir andando com ela. Sem ela, não criaria, não cresceria, não me surpreenderia ao olhar para o resultado final. A guerra, não a parei mas compreendi-a melhor. Compreendi que ela nunca foi passado e será sempre uma promessa. Está presente porque todos nós a queremos. E do grupo sénior, é gente cheia de vida a querer muito mais… Que admiração lhes tenho! Generosidade sénior, gargalhada sénior, alegria sénior. Tudo em grande! Depois de alguns anos sem fazermos a OTS (Oficina de Teatro Sénior) no Teatro Art’Imagem, apareceram meia dúzia de gatos pingados a arriscar voltarmos a adiar. Mas quiseram, mas ficaram, mas insistiram que queriam sacudir as pingas… cheirou-lhes a diversão, a novas aventuras, a barulhar silêncios (que me contaram tudinho sem que abrisse-mos livro nem boca). Abrimos “A Bomba e o General” do Eco, para dizer que queremos paz, como é próprio do ser humano integro. A história é para crianças, é para todos os que se permitem sê-lo.

“Um conto para crianças sobre a guerra era para estar hoje desactualizado. Não era para fazer sentido nos nossos corações, não deveria servir para pensar sobre a guerra porque ela era para não existir. Mas num piscar de olhos, volta tudo ao mesmo… Pois bem… Então, crianças desse outro século chegam a este para recordar o que há muito aprenderam. Já crescidos voltam a brincar ao ridículo dos poderosos senhores da guerra, para repetir a mensagem dos sábios: que se cumpra o desejo de paz. É um exercício de teatro da Oficina de Teatro Sénior. É um exercício para a vida, de quem faz e de quem assiste. É um exercício para a paz.”
Dramaturgia e Direcção: Andreia Macedo
Interpretação: Ana Maria Borges, Luísa Castro, Luís Sousa, Maria José Sousa, Maria Luísa Costa, Rosalina Santos e Virgínia Magalhães
Sonoplastia: Andreia Macedo
Luz: André Rabaça
Cenografia e Adereços: José Lopes
Fotografia: Nuno Ribeiro





